A lingerie fabricada em Nova Friburgo e região, na Serra Fluminense, recebeu nesta terça-feira (27) o registro de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), na modalidade Indicação de Procedência. A concessão foi publicada na Revista da Propriedade Industrial nº 2912 e noticiada pelo Diário do Rio e por veículos da região.
O que o selo reconhece
A Indicação de Procedência certifica que um lugar ficou conhecido como centro de produção de determinado produto. No caso de Nova Friburgo, que já é chamada de Capital Nacional da Moda Íntima, o registro formaliza uma reputação construída ao longo de décadas. O pedido foi feito pelo Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo (Sindvest) em março de 2026 e passou por duas rodadas de exigências técnicas do INPI antes da aprovação, segundo os despachos publicados pelo instituto. O trabalho de preparação levou cerca de quatro anos e envolveu também o Sebrae Rio, a Unigranrio e a Faperj, a fundação de amparo à pesquisa do estado.
A área reconhecida inclui 12 municípios: Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Bom Jardim, Duas Barras, Carmo, Sumidouro, Cordeiro, Macuco, Cantagalo, Santa Maria Madalena, Trajano de Moraes e São Sebastião do Alto. De acordo com os dados divulgados pelas instituições, o polo reúne mais de 4,1 mil empresas, responde por aproximadamente 35% da produção nacional de moda íntima e gera cerca de 28 mil empregos diretos e indiretos, com mulheres em 80% das operações. A maior parte das empresas é formada por microempreendedores individuais e microempresas.

"O selo tem impactos diretos, traz divulgação, valorização do produto, cria a identidade efetiva da lingerie produzida na nossa região", afirmou Fernanda Gripp, coordenadora regional do Sebrae Rio em Nova Friburgo, ao Diário do Rio.
O que muda para lojistas e compradores
Na prática, o nome geográfico passa a ter proteção legal: só quem produz dentro da área delimitada e segue as regras da IG pode usar a indicação, o que ajuda a combater falsificação e uso indevido. Para os fabricantes, a expectativa é agregar valor às peças e atrair mais lojistas e atacadistas ao polo e a eventos do setor, como a feira Fevest.
Para quem compra moda íntima para revender, inclusive no Brás, o selo deve virar um argumento de venda e de procedência nas etiquetas e no material das marcas certificadas. Também vale atenção redobrada a peças vendidas como "de Friburgo" sem comprovação, já que o uso do nome agora tem regras e respaldo legal.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo Diário do Rio em 27 de outubro de 2026 e nos despachos do INPI publicados na Revista da Propriedade Industrial.




