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Dia do Sapateiro: metade dos trabalhadores dos calçados em Franca tem entre 40 e 59 anos, e setor luta para atrair jovens

Levantamento do IE-ACIF com dados da Rais mostra que 50,39% dos 13,1 mil empregados formais da indústria calçadista de Franca têm entre 40 e 59 anos. Jovens até 24 anos são só 12,34%, e o salário médio é de R$ 2.756,82.

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Trabalhador da indústria calçadista de Franca durante a produção de calçados
Capa: Wilker Maia/ACIF (via Jornal da Franca)

Neste domingo, 25 de outubro, Dia do Sapateiro, um retrato de Franca, tradicional polo calçadista paulista, mostra um desafio que interessa a quem compra e revende sapatos no Brás: a mão de obra está envelhecendo. Segundo levantamento do Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca (IE-ACIF), feito com dados da Rais 2025, 50,39% dos trabalhadores formais da indústria calçadista de Franca (SP) têm entre 40 e 59 anos.

O tamanho do polo

De acordo com o Caged de agosto de 2026 citado pela entidade, o setor emprega formalmente 13.187 pessoas na cidade e reúne 3.104 empresas ativas, das quais 41,4% são microempreendedores individuais (MEIs). A faixa de 25 a 39 anos responde por 30,82% dos empregados, enquanto os jovens de até 24 anos são apenas 12,34% e os trabalhadores com mais de 60 anos, 6,45%. As mulheres somam 45% da força de trabalho formal.

As funções que mais empregam são preparador de calçados (18,2% dos postos), sapateiro de calçados sob medida (13,2%) e acabador de calçados (10,3%). O tempo médio no mesmo emprego é de cerca de três anos e meio, e a remuneração média mensal registrada é de R$ 2.756,82.

Dia do Sapateiro: metade dos trabalhadores dos calçados em Franca tem entre 40 e 59 anos, e setor luta para atrair jovens
Capa: Wilker Maia/ACIF (via Jornal da Franca)

Por que os jovens não chegam

Ouvido pela CBN Ribeirão, o economista Rodrigo Souza, do IE-ACIF, explica que a predominância de profissionais mais velhos reflete a experiência acumulada em várias etapas da produção, mas também o fato de que os jovens procuram carreiras ligadas à tecnologia, com perspectiva de crescimento e salários mais altos. Um empresário com 38 anos no ramo relatou à emissora que a falta de pedidos constantes atrapalha a continuidade da produção e dificulta contratar e manter equipes. Para os entrevistados, valorizar a mão de obra, melhorar a remuneração e dar mais estabilidade ao trabalho são caminhos para renovar o setor.

O que isso significa para o lojista

Para lojistas que trabalham com calçados de fábricas francanas, o dado acende um alerta: um polo com dificuldade de renovar equipes e com produção que oscila conforme os pedidos tende a ter prazos menos previsíveis em épocas de pico, como Black Friday e Natal. Vale antecipar os pedidos de fim de ano e alinhar prazos de entrega com os fornecedores.

Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo Jornal da Franca (22 de outubro de 2026) e pela CBN Ribeirão (24 de outubro de 2026), a partir de levantamento do IE-ACIF com dados da Rais 2025 e do Caged.

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