Neste domingo, 25 de outubro, Dia do Sapateiro, um retrato de Franca, tradicional polo calçadista paulista, mostra um desafio que interessa a quem compra e revende sapatos no Brás: a mão de obra está envelhecendo. Segundo levantamento do Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca (IE-ACIF), feito com dados da Rais 2025, 50,39% dos trabalhadores formais da indústria calçadista de Franca (SP) têm entre 40 e 59 anos.
O tamanho do polo
De acordo com o Caged de agosto de 2026 citado pela entidade, o setor emprega formalmente 13.187 pessoas na cidade e reúne 3.104 empresas ativas, das quais 41,4% são microempreendedores individuais (MEIs). A faixa de 25 a 39 anos responde por 30,82% dos empregados, enquanto os jovens de até 24 anos são apenas 12,34% e os trabalhadores com mais de 60 anos, 6,45%. As mulheres somam 45% da força de trabalho formal.
As funções que mais empregam são preparador de calçados (18,2% dos postos), sapateiro de calçados sob medida (13,2%) e acabador de calçados (10,3%). O tempo médio no mesmo emprego é de cerca de três anos e meio, e a remuneração média mensal registrada é de R$ 2.756,82.

Por que os jovens não chegam
Ouvido pela CBN Ribeirão, o economista Rodrigo Souza, do IE-ACIF, explica que a predominância de profissionais mais velhos reflete a experiência acumulada em várias etapas da produção, mas também o fato de que os jovens procuram carreiras ligadas à tecnologia, com perspectiva de crescimento e salários mais altos. Um empresário com 38 anos no ramo relatou à emissora que a falta de pedidos constantes atrapalha a continuidade da produção e dificulta contratar e manter equipes. Para os entrevistados, valorizar a mão de obra, melhorar a remuneração e dar mais estabilidade ao trabalho são caminhos para renovar o setor.
O que isso significa para o lojista
Para lojistas que trabalham com calçados de fábricas francanas, o dado acende um alerta: um polo com dificuldade de renovar equipes e com produção que oscila conforme os pedidos tende a ter prazos menos previsíveis em épocas de pico, como Black Friday e Natal. Vale antecipar os pedidos de fim de ano e alinhar prazos de entrega com os fornecedores.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo Jornal da Franca (22 de outubro de 2026) e pela CBN Ribeirão (24 de outubro de 2026), a partir de levantamento do IE-ACIF com dados da Rais 2025 e do Caged.




