Desde domingo, 1º de novembro, roupas fabricadas no Brasil entram na Noruega sem pagar imposto de importação. É o efeito imediato do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que passou a valer nas trocas entre Brasil e Noruega. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o vestuário e os têxteis confeccionados concentram a maior parte das tarifas industriais cobradas pelos noruegueses e estão entre os itens beneficiados logo no primeiro dia.
249 linhas de roupas e têxteis com tarifa zero
De acordo com o MDIC, 249 linhas tarifárias de vestuário e de têxteis confeccionados, que pagavam entre 5,6% e 10,7% para entrar no país nórdico, tiveram a alíquota zerada para produtos do Mercosul. O governo cita como oportunidades camisetas, calças, roupas de banho, lingerie e artigos de cama, mesa e banho.
O espaço para crescer é grande. Em 2025, o Brasil exportou US$ 219,9 milhões desses produtos para o mundo, mas apenas US$ 0,3 milhão (cerca de 300 mil dólares) para o conjunto dos países da EFTA, conforme os números do ministério reproduzidos pelo Valor Econômico.

Calçados de couro também estão no radar
Em um cruzamento de dados de comércio de 2025, o MDIC apontou os calçados entre os segmentos com potencial imediato de vendas ao bloco, ao lado de medicamentos, joalheria e máquinas. Os países da EFTA importaram US$ 805,81 milhões em calçados de couro no ano passado, enquanto as exportações brasileiras desse tipo de produto para o bloco somaram só US$ 10,59 milhões, ante US$ 255,02 milhões vendidos ao mundo.
Além do corte de tarifas, o acordo traz regras para reduzir a burocracia, como o reconhecimento de testes feitos em laboratórios do Mercosul, menos repetição de processos de certificação e exigências de rotulagem mais flexíveis, segundo a Radioagência Nacional, da Agência Brasil.
Como fica o restante do bloco
- Islândia: as preferências comerciais com o Brasil já valem desde 1º de outubro de 2026.
- Noruega: em vigor desde 1º de novembro, para Brasil e Uruguai.
- Suíça e Liechtenstein: ainda dependem da conclusão de trâmites internos.
- Argentina e Paraguai: do lado do Mercosul, também seguem com a internalização do acordo.
Do lado brasileiro, a redução das tarifas cobradas sobre produtos dos países da EFTA será gradual, com cronogramas de até 15 anos. A EFTA reúne cerca de 15 milhões de habitantes e um PIB de aproximadamente US$ 1,4 trilhão. O acordo foi assinado em 16 de setembro de 2025.
O que isso significa para confecções e atacadistas
Para confecções que produzem em escala, como as que abastecem o atacado de moda do Brás, o acordo abre uma porta de exportação antes quase fechada pelo custo da tarifa. Para aproveitar a isenção, porém, a mercadoria precisa ter origem comprovada no Mercosul, com certificado de origem, e ser classificada corretamente no código tarifário norueguês, conforme as regras divulgadas pela alfândega da Noruega. Empresas interessadas devem conferir o produto específico no cronograma de compromissos do acordo antes de fechar negócio.
Com informações do MDIC, do Valor Econômico e da Agência Brasil.




