Quem compra moda íntima para revender conhece bem os grandes polos do Sul e do Sudeste, mas uma cidade de cerca de 20 mil habitantes no interior do Ceará vem ganhando espaço nesse mapa. Frecheirinha, a cerca de 300 km de Fortaleza, recebeu em 2025, por lei estadual, o título de “Capital Estadual da Lingerie” e agora tenta um reconhecimento nacional no Congresso, segundo reportagem do Diário do Nordeste publicada nesta terça-feira (3).
Uma economia movida a calcinhas, sutiãs e cuecas
De acordo com o prefeito Francisco Mesquita Portela, o município tem 30 fábricas de lingerie, que respondem por cerca de 20,7% do PIB local. Dados do Caged citados pelo jornal mostram que a indústria emprega 2.914 trabalhadores com carteira assinada, perto de 90% dos empregos formais da cidade. A justificativa da lei estadual estima 4,5 mil empregos diretos e mais de 20 mil indiretos na cadeia, de insumos e confecção até logística e venda.
A virada começou no início dos anos 1990, quando empresários trocaram uma fábrica de roupas por uma de lingerie. Segundo Diego Arruda, presidente da Associação dos Confeccionistas de Frecheirinha (Ascof), a maioria das empresas atuais foi aberta por ex-funcionários das primeiras fábricas, e a associação forma turmas de cerca de 50 alunos a cada três meses, que já saem empregados.

Loja de fábrica e peças de maior valor
A partir de 2005, as confecções passaram a abrir as próprias lojas em vez de depender só das grandes redes. Hoje, diz a Ascof, são mais de 100 lojas de fábrica de Frecheirinha espalhadas pelo país. O preço médio das peças fica entre R$ 60 e R$ 70, e há conjuntos acima de R$ 200, um posicionamento mais alto do que o de boa parte da produção de Fortaleza, que tem muitos itens na faixa de R$ 10 a R$ 15.
O gargalo apontado pelo próprio prefeito é a distância dos fornecedores: boa parte dos insumos ainda vem do Sul do país.
Ceará lidera em peças, Nova Friburgo segue como capital nacional
Pelos dados da Abit reproduzidos na reportagem, o Ceará produziu 215,6 milhões de peças de moda íntima e meias em 2025, 15,4% do total nacional, à frente do Rio de Janeiro (172,4 milhões). O Brasil fez 1,39 bilhão de peças no segmento no ano. Nova Friburgo (RJ), porém, continua sendo o maior polo isolado e detém por lei federal (Lei 14.883/2024) o título de Capital Nacional da Moda Íntima.
Por isso, o Projeto de Lei 4303/2025, do deputado Júnior Mano (PSB-CE), que pedia o mesmo título para Frecheirinha, recebeu na Câmara um substitutivo que muda a designação para “Polo Nacional de Confecção de Moda Íntima”, evitando dois municípios com a mesma distinção. O texto cita mais de 25 fábricas e minifábricas, produção estimada em 1,5 milhão de peças por mês e faturamento na casa de R$ 50 milhões mensais.
O que isso significa para quem vende no Brás
Para lojistas e compradores de moda íntima, o crescimento de polos como Frecheirinha amplia as opções de fornecimento fora do eixo tradicional e reforça a concorrência em preço e qualidade no atacado. Também mostra que o Nordeste deixou de ser só mercado consumidor e virou origem de produto, o que vale acompanhar na hora de montar o mix para o fim de ano.
Com informações do Diário do Nordeste e da Câmara dos Deputados.




