Protestos de trabalhadores por aumento de salário pararam centenas de fábricas de roupas em Bangladesh nos dias 1º e 2 de novembro, segundo a agência Reuters, em reportagens reproduzidas pelo InfoMoney. O país é o segundo maior exportador de vestuário do mundo, atrás apenas da China, e fornece para redes como H&M, Zara, Primark e Walmart.
Paralisação em 529 fábricas no domingo
A Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh (BGMEA) informou que as manifestações interromperam a produção em 529 fábricas no domingo (1º), afetando quase 1 milhão de trabalhadores, de acordo com a Reuters e o jornal local The Business Standard. As fábricas reabriram na segunda-feira (2), mas novos confrontos entre manifestantes e a polícia fizeram centenas delas suspenderem a produção outra vez; a Reuters citou 679 unidades paradas ao longo do dia.
Os trabalhadores pedem que o salário mínimo mensal suba de 12.500 para 30.000 takas, cerca de US$ 243. O governo criou uma comissão de seis membros para analisar o pedido, mas a medida não acalmou os protestos de imediato. Em Daca, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar bloqueios de estradas.

Fabricantes ameaçam não pagar dias parados
Os donos de fábricas alegam custos mais altos, incerteza no preço da energia e demanda mais fraca nos principais mercados. O presidente da BGMEA, Mahmud Hasan Khan, disse que, se as fábricas forem forçadas a fechar de novo, o setor pode aplicar a regra de "sem trabalho, sem pagamento". Segundo o The Business Standard, os empresários decidiram fechar unidades temporariamente, com base na lei trabalhista do país, caso os trabalhadores não retornem.
A confecção responde por mais de 80% das receitas de exportação de Bangladesh, emprega cerca de 4 milhões de pessoas e equivale a cerca de 10% do PIB do país.
Por que o assunto interessa a quem vende moda
A paralisação acontece num momento-chave para a produção dos pedidos de primavera e verão do Hemisfério Norte, e as grandes redes globais estão entre as mais expostas a atrasos. Se a crise se prolongar, a disputa por capacidade em outros países fornecedores de roupas e tecidos pode aumentar, o que vale ser acompanhado por quem importa ou revende peças e insumos de fora.
Com informações da Reuters/InfoMoney e do The Business Standard.




