A primeira etapa do fim da escala 6x1, prevista na Emenda Constitucional 141/2026, passa a valer em 16 de dezembro, pouco mais de uma semana antes do Natal, e o comércio já trata a data como um problema para a temporada mais importante do ano. Nesta terça-feira (27), a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgou nota pedindo medidas para suavizar a transição, e nesta quarta (28) o Diário do Comércio, da Associação Comercial de São Paulo, ouviu entidades do varejo paulista que consideram o prazo curto demais.
O que muda em dezembro
A partir de 16 de dezembro, as empresas têm 60 dias para trocar a escala de seis dias de trabalho e um de folga pela de cinco dias e duas folgas, com a jornada semanal caindo de 44 para 42 horas, sem redução de salário. A segunda etapa, que leva a jornada a 40 horas semanais, está prevista para dezembro de 2027. Como a mudança agora faz parte da Constituição, um eventual adiamento dependeria de outra emenda, caminho que tanto a CNDL quanto o Sindilojas-SP consideram improvável no curto prazo.
O que os lojistas pedem
Na nota, a CNDL afirma que reorganizar escalas e contratar mais gente, seja com carteira assinada, seja de forma temporária, exige um esforço financeiro alto justamente no pico de vendas, sobretudo para micro e pequenas empresas. Para os 60 dias de transição, a entidade defende três frentes: medidas infralegais que flexibilizem exigências, reduzam multas e abrandem a fiscalização sobre os pequenos negócios; compensações fiscais e tributárias para o setor; e negociação com governo e Congresso para ajustar a aplicação das novas regras durante a temporada de fim de ano.

A conta em São Paulo
Segundo levantamento do Sindilojas-SP citado pelo Diário do Comércio, o varejo da capital paulista precisaria contratar cerca de 52 mil trabalhadores para compensar a carga horária menor de cada funcionário. O número contrasta com o mercado de trabalho do setor: o sindicato projeta a abertura de 18,5 mil vagas formais no varejo do estado entre outubro e novembro, abaixo das 23,9 mil do mesmo período de 2025 e o menor saldo para esses meses desde 2020. De acordo com a entidade, oito em cada dez lojas têm até nove funcionários, e o faturamento real do comércio da capital caiu 9,2% entre janeiro e julho.
A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shopping (Ablos) estima alta de cerca de 20% no custo com pessoal das lojas e lembra que, em dezembro, os shoppings já cobram aluguel e fundo de promoção dobrados. Do lado dos trabalhadores, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo informou que as convenções coletivas negociadas para o próximo ano já estão sendo escritas no novo formato de jornada.
O que o lojista do Brás pode fazer agora
Para lojas e boxes do Brás, que costumam ampliar horários e equipes na reta final do ano, a recomendação das entidades é não esperar dezembro: mapear os horários de maior movimento, montar já as novas escalas, decidir quantos temporários serão necessários e conversar com o contador sobre o que a convenção coletiva da categoria vai prever. Confecções que vendem no atacado também precisam considerar o efeito sobre costureiras e equipes de expedição contratadas em regime CLT, já que os pedidos de reposição de Natal e verão se concentram nessas mesmas semanas.
Esta reportagem foi elaborada com base na nota publicada pela CNDL em 27 de outubro de 2026 e em reportagem do Diário do Comércio publicada em 28 de outubro de 2026.




