Os empresários do comércio entram na temporada de Black Friday e Natal mais cautelosos. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 2,7% em outubro, já descontada a sazonalidade, e ficou em 96,7 pontos. Foi a quarta queda seguida e o nível mais baixo desde maio de 2021, abaixo da linha de 100 pontos que separa otimismo de pessimismo.
Moda foi o segmento mais atingido
Para quem vende no atacado e no varejo de moda, o dado que mais chama atenção é o do segmento de bens semiduráveis, que reúne roupas, calçados, tecidos e acessórios. Segundo a CNC, foi o grupo em que a avaliação das condições atuais mais pesou: a confiança caiu 5,4% sobre setembro e 3,3% em relação a outubro do ano passado, justamente quando esses produtos costumam ganhar peso nas vendas de fim de ano.
A entidade associa parte do movimento ao fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". Dados da Receita Federal citados no levantamento mostram que as remessas internacionais declaradas saltaram de 14,4 milhões para 25,7 milhões em setembro, alta de 78,7%, e que o valor movimentado subiu 84,3%, para US$ 523,2 milhões.

Menos contratações para o fim de ano
A cautela já aparece nos planos. A intenção de contratar funcionários caiu 2,8% no mês, puxando para baixo o subíndice de investimentos (98,9 pontos). O componente que mede a percepção sobre o momento atual recuou pelo sexto mês seguido, para 68,2 pontos, o menor da série, e 78,2% dos empresários disseram ver piora nas condições da economia. Ainda assim, 58,1% esperam melhora no curto prazo. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, cobrou previsibilidade, segurança jurídica e juros menores para que o setor aproveite as datas comerciais.
FGV vê leve alívio
Um termômetro diferente, o Índice de Confiança do Comércio (Icom) da Fundação Getulio Vargas, subiu 1,8 ponto em outubro, para 83,1 pontos, depois de dois meses de queda. Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, avaliou que a alta só compensa parte das perdas recentes e que o comprometimento da renda dos consumidores segue como desafio. O indicador de vendas previstas da FGV, por sinal, caiu para o menor patamar desde setembro de 2025.
Na prática, as duas pesquisas sugerem que o lojista deve chegar ao fim de ano com estoque e equipe dimensionados com cuidado, de olho na concorrência das plataformas internacionais.
Com informações do Mercado&Consumo (CNC) e da Agência Estado, via O POVO (FGV).




