A indústria de confecção brasileira produziu 3,3% menos em agosto do que em julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Com o resultado, a fabricação de roupas e acessórios acumula queda de 7,3% de janeiro a agosto na comparação com o mesmo período de 2025 e recuo de 10,6% frente a agosto do ano passado. Os números foram reunidos nesta segunda-feira (26) pelo portal GBLJeans, no levantamento mensal Indicadores de Moda do GBL Monitor, que cruza produção, preços e vendas do setor a partir das bases oficiais do instituto.
Tecelagens e calçadistas também em baixa
A indústria têxtil, que fornece tecidos e fios às confecções, recuou 0,6% no mês, mesmo ritmo da indústria em geral, e soma queda de 4,2% no ano e de 2,7% em 12 meses. O ramo de couro, artigos de viagem e calçados caiu 1,3% em agosto e 4,7% no acumulado de 2026. Na divulgação dos dados, o IBGE listou a confecção de vestuário entre as atividades que mais pesaram negativamente sobre o resultado da indústria no mês, ao lado de setores como farmacêutico e eletrônicos.
Na fábrica sobe, na loja cai
O levantamento do GBL Monitor mostra um descompasso de preços ao longo da cadeia. Os preços de porta de fábrica das confecções subiram 0,17% em agosto e acumulam alta de 2,97% no ano. Já os tecidos e artigos têxteis ficaram 0,72% mais baratos no mês, mas ainda acumulam aumento de 1,44% desde janeiro.

Na ponta, o consumidor encontrou roupas mais baratas: pelo IPCA, o item roupas caiu 0,10% em agosto e registra deflação de 0,43% no ano. O grupo de moda como um todo subiu 0,12% no mês, puxado pelos calçados. Em 12 meses, a inflação das roupas ficou em 1,47%, menos da metade da alta do conjunto de produtos de moda (3,25%).
Vendas reagiram, mas o ano segue negativo
O varejo de tecidos, vestuário e calçados vendeu 0,6% mais em volume em agosto, depois de dois meses de queda, acima do comércio em geral (0,1%). Ainda assim, o volume vendido pelo setor acumula retração de 1,4% no ano, embora a receita nominal tenha subido 1,9% no período, segundo o GBL Monitor.
O que isso significa para quem compra e vende no Brás
Para o lojista e o comprador de atacado, os números indicam um cenário de custo de reposição subindo na fábrica enquanto o preço final das roupas segue pressionado, o que tende a apertar a margem de quem revende. Com a Black Friday e o Natal se aproximando, vale negociar prazos e volumes com antecedência, acompanhar de perto os reajustes dos fornecedores e evitar estoque parado em peças que dependem de remarcação para girar. Para as confecções do bairro, o momento pede atenção ao caixa e ao planejamento das coleções de verão.
Esta reportagem foi elaborada com base no levantamento Indicadores de Moda do GBL Monitor, publicado pelo portal GBLJeans em 26 de outubro de 2026, e na Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física de agosto de 2026, divulgada pelo IBGE em 2 de outubro.




