Vendas de roupas e calçados voltam a subir em agosto, mas setor ainda acumula perdas no ano

Consumidora escolhe produtos em loja de varejo
Capa: Rovena Rosa/Agência Brasil

IBGE aponta alta de 0,6% em tecidos, vestuário e calçados de julho para agosto, depois de dois meses de queda forte. Na comparação com agosto de 2025, porém, o segmento ainda vende 3,9% menos — sinal de cautela para quem compra estoque de fim de ano no Brás.

Vendas de roupas e calçados voltam a subir em agosto, mas setor ainda acumula perdas no ano
Capa: Rovena Rosa/Agência Brasil

O varejo de tecidos, vestuário e calçados teve um respiro em agosto. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (15), o volume de vendas do segmento cresceu 0,6% em relação a julho, na série com ajuste sazonal. A alta vem depois de dois meses seguidos de retração expressiva: queda de 3,4% em junho e de 3,0% em julho.

O alívio, no entanto, ainda não apaga o ano difícil para quem vive de moda. Na comparação com agosto de 2025, o setor vendeu 3,9% menos. No acumulado de janeiro a agosto, a queda é de 1,4%, e nos últimos 12 meses, de 1,8%. Tecidos, vestuário e calçados seguem entre os poucos segmentos do varejo no vermelho em 2026, enquanto o comércio como um todo acumula alta de 1,7% no ano.

Varejo geral fica praticamente estável

No conjunto do comércio varejista, o volume de vendas variou 0,1% em agosto, após recuo de 0,8% em julho, informou a Agência Brasil com base nos dados do instituto. Das oito atividades pesquisadas, seis tiveram resultado positivo no mês, com destaque para equipamentos de informática e comunicação (6,3%). Móveis e eletrodomésticos (-4,2%) e supermercados (-0,3%) ficaram no negativo.

Outro dado que interessa ao Brás vem de artigos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos: alta de 0,7% no mês, de 4,8% frente a agosto do ano passado e de 4,6% no acumulado de 2026. Beleza segue como um dos segmentos mais consistentes do varejo, o que reforça a aposta de lojistas que combinam moda com maquiagem, perfumes e acessórios.

O que isso significa para o lojista

Para quem compra no atacado do Brás para revender, o recado é de prudência. A recuperação de agosto mostra que o consumidor voltou a gastar um pouco com roupa e calçado, mas a base de comparação ainda é fraca e o crédito segue caro. Com Black Friday, Natal e verão pela frente, o momento pede estoque bem escolhido: giro rápido, peças de entrada com bom preço e reposição frequente tendem a funcionar melhor do que grandes apostas em volume.

Para confecções e lojas do bairro, o número reforça a importância de ofertas competitivas e de canais que ampliem o alcance, como vendas pelo WhatsApp e pelas redes sociais, para disputar um consumidor que ainda escolhe com cuidado onde gastar. Os dados de setembro serão divulgados pelo IBGE em 13 de novembro.

Esta reportagem foi elaborada com base em dados da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE e em informações publicadas pela Agência Brasil.

Fontes

Notícias do Brás