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TIC Trens amplia o CCO do Brás para comandar trens até Campinas

Concessionária do grupo Comporte planeja expandir o Centro de Controle Operacional no Brás para gerir a Linha 7-Rubi, o Trem Intercidades SP–Campinas e o TIM Jundiaí–Campinas, compartilhando a estrutura com a Trivia Trens.

Nesta matéria
Estação Brás da CPTM, em São Paulo
Dornicke / Wikimedia Commons; Geogast / Wikimedia Commons

Quem circula pelo Brás todo dia já sabe: o bairro não é só comércio. Há anos a região também concentra uma peça-chave da operação ferroviária de São Paulo. Agora, a TIC Trens começa a detalhar um plano para ampliar o Centro de Controle Operacional (CCO) do Brás e transformar o local, de novo, em hub de comando de trens — desta vez sob concessões privadas.

O projeto prevê que o CCO do Brás passe a gerenciar a Linha 7-Rubi, o Trem Intercidades (TIC) entre São Paulo e Campinas e o Trem Intermetropolitano (TIM) entre Jundiaí e Campinas. Para o lojista e para quem mora ou trabalha no entorno da estação, a notícia tem cara de reforço de relevância do bairro no mapa dos trens.

Por que o CCO fica no Brás — e não na Linha 7

À primeira vista, a escolha chama atenção. Nenhum dos três serviços da TIC Trens passa pelo Brás: a Linha 7 termina na Barra Funda, o Intercidades deve partir de Água Branca e o TIM fica entre Jundiaí e Campinas. A lógica, porém, é de grupo.

Sinalização e ambiente da Estação Brás
Dornicke / Wikimedia Commons; Geogast / Wikimedia Commons

A TIC Trens e a Trivia Trens pertencem ao mesmo controlador, o Grupo Comporte. A Trivia ficou com as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Ao compartilhar o prédio do CCO no Brás, as duas concessionárias aproveitam uma estrutura já montada — e o bairro volta a concentrar uma fatia importante da operação ferroviária metropolitana, agora sob gestão privada.

Do CCO da CPTM em 2006 ao novo desenho das concessões

O Centro de Controle Operacional do Brás foi inaugurado pela CPTM em 2006. Com o tempo, a estatal concentrou ali o comando das linhas que ainda eram geridas de outros pontos. Na década seguinte, as seis linhas então operadas pela companhia passaram a ser supervisionadas a partir do mesmo edifício.

Esse mapa mudou com as concessões. As linhas 8 e 9 foram para a ViaMobilidade em 2022; a 10-Turquesa permaneceu com a CPTM. Em 2025 a TIC Trens assumiu a Linha 7-Rubi. O contrato original da concessão chegava a falar em um centro de controle em Jundiaí, mas a estratégia mudou depois que o Comporte também levou as linhas 11, 12 e 13. Em abril, a própria TIC Trens confirmou a intenção de dividir o CCO do Brás com a Trivia.

Videowall maior, fibra óptica, ETCS e SCADA

O plano apresentado pela TIC Trens ainda está em fase inicial, mas já aponta o perfil da modernização. A ideia é ampliar o videowall com uma nova fileira de monitores e criar salas técnicas para equipamentos e sistemas de apoio à operação.

Na malha sob responsabilidade da empresa, estão previstos mais de 200 km de fibra óptica para levar dados de sinalização, telecomunicações, monitoramento e sistemas de estações até o CCO. Essa rede entra no pacote da futura implantação do ETCS Nível 2 com ATO — o padrão de sinalização e controle previsto para o corredor da Linha 7, do TIC e do TIM.

Outro recurso citado é o SCADA, que permite supervisionar e comandar remotamente instalações ao longo da ferrovia, inclusive subestações de energia. Parte dessas manobras poderá ser feita pelos operadores direto do Brás.

Jundiaí ganha posto local; TIM em 2029 e TIC em 2031

Centralizar no Brás não significa deixar o interior sem estrutura. A TIC Trens prevê um posto de comando local em Jundiaí, para dar suporte operacional — sobretudo na entrada em serviço do TIM.

O Trem Intermetropolitano tem início de operação previsto para cerca de 2029, ligando Jundiaí a Campinas com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos. O Trem Intercidades, no mesmo corredor e com destino a São Paulo, está estimado para cerca de 2031.

Até agora, a empresa não divulgou custo nem cronograma das obras de adequação do CCO no Brás. O que existe é o desenho da estratégia: Brás como centro compartilhado, Jundiaí como apoio local e tecnologia nova na malha.

O que isso muda para o comércio do Brás

Para quem vende no Brás, a estação e o fluxo de passageiros já são parte do dia a dia. Ver o CCO ganhar peso de novo — agora sob TIC e Trivia — reforça o papel do bairro como ponto de referência da operação de trens na capital. Mais atividade operacional no entorno pode significar presença constante de equipes técnicas, fornecedores e rotina de suporte à ferrovia.

Em resumo: o Brás volta a ser escolhido como casa do comando ferroviário. Não porque o Intercidades ou a Linha 7 atravessem a Rua Oriente, mas porque a estrutura do CCO — aberta pela CPTM em 2006 e agora repartida entre concessionárias do mesmo grupo — continua sendo o lugar mais prático para olhar a malha de cima.

Reportagem com base em informações do Metrô CPTM e do Diário do Transporte. Valores e prazos das obras no CCO do Brás ainda não foram divulgados pela TIC Trens.

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