Moda de segunda mão cresce três vezes mais que o varejo tradicional — e disputa o bolso do Brás

Peças de moda de segunda mão em exposição
Capa: Divulgação (via Valor Econômico)

Brechós e plataformas de revenda devem movimentar até US$ 360 bi no mundo até 2030. No Brasil, redes como a Peça Rara já faturam centenas de milhões — e o consumidor compara preço e consciência antes de comprar novo.

Moda de segunda mão cresce três vezes mais que o varejo tradicional — e disputa o bolso do Brás
Capa: Divulgação (via Valor Econômico)

O mercado de moda de segunda mão — brechós, plataformas de revenda e peças reaproveitadas — cresce cerca de três vezes mais rápido que o varejo de roupas novas. A constatção veio nesta quinta-feira (15) em reportagem do Valor Econômico e reforça um movimento que já aparece até na São Paulo Fashion Week: na última edição, o estilista Marcelo Sommer desfilou uma coleção inteira com peças recicladas fornecidas pelo Brechó Capricho à Toa e vendeu 40% das criações antes mesmo da passarela.

Para lojistas e confecções do Brás, o dado não é detalhe de tendência: muda o jeito como o consumidor escolhe o que entra no guarda-roupa — e disputa o mesmo bolso que abastece o atacado.

Números que explicam a aceleração

Estudo do Boston Consulting Group com a Vestiaire Collective projeta que a revenda global de moda e artigos de luxo movimente entre US$ 320 bilhões e US$ 360 bilhões até 2030, com crescimento anual de cerca de 10%. Metade dos consumidores de luxo já consulta o mercado de segunda mão antes de comprar um item novo. Geração Z e millennials devem responder por cerca de 71% desse crescimento até o fim da década, segundo a GlobalData — e cerca de 50% dos compradores descobrem peças usadas por redes sociais e criadores de conteúdo, não só por marketplaces.

No Brasil, a maior rede multicategoria do segmento, a Peça Rara, opera cerca de 130 lojas, recebe em média 400 mil peças por mês (das quais 85% são vendidas) e faturou R$ 250 milhões em 2025. Brechós de luxo como o New4Another, em São Paulo, viram o ticket médio saltar de R$ 2.800 para a faixa de R$ 5.800 a R$ 6.200 em dois anos, com 70% das vendas ainda no físico. A plataforma Hunt Unique Treasures, que conecta cerca de 180 brechós parceiros, relatou alta de 287% no faturamento em 2025, com GMV de R$ 5,8 milhões.

O que isso muda no Brás

Quem vende peça nova no atacado ganha um concorrente estrutural: preço 30% a 60% abaixo do novo (como aponta a OLX para bens de consumo em geral) e um discurso de consumo consciente que encanta o mesmo público jovem que normalmente reabastece a sacola no Brás. Ao mesmo tempo, abre oportunidade para confecções e lojistas que apostem em qualidade, durabilidade e reposição rápida — o consumidor que compra no brechó também volta ao atacado quando precisa de volume, novidade ou tamanho que não acha usado.

Na prática, vale acompanhar o mix: apostar em peças com acabamento e caimento que justifiquem o preço frente ao usado, reforçar comunicação de procedência e, para quem já tem estoque parado, considerar canais de recirculação sem abandonar o atacado clássico.

Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo Valor Econômico e pelo E-Commerce Brasil.

Fontes

Notícias do Brás