O Mercado Livre apresentou nesta quarta-feira (14) um desfile próprio na 61ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera. Todas as peças que passaram pela passarela estão à venda no marketplace, e a empresa montou no evento um estúdio de live commerce com seis horas diárias de transmissões ao vivo para mostrar e vender os looks.
Batizado de “O Brasil de encontros”, o desfile teve curadoria do stylist Daniel Ueda e apostou no estilo de rua brasileiro, com maximalismo e mistura de referências. Entraram na seleção marcas como Farm, Nike, Melissa, Crocs, Saint Germain, Hering e Puma — todas com loja oficial dentro da plataforma. A empresa também patrocina nesta edição os desfiles de Dario Mittmann, em homenagem aos 90 anos de Mauricio de Sousa, e de Amir Slama.
Moda é a categoria da vez no e-commerce
De acordo com o E-Commerce Brasil, é o segundo ano seguido em que o Mercado Livre aparece como apresentador oficial da semana de moda, numa parceria que já soma três anos. A aposta tem motivo: dados da Nuvemshop citados pela publicação mostram que a moda cresceu 35% no comércio eletrônico brasileiro em 2025, e a disputa pelo consumidor envolve gigantes como Shein, que lidera o segmento entre os grandes marketplaces segundo o Instituto Retail Think Tank, e Shopee.
Outro movimento que o desfile deixa claro é a chegada de marcas tradicionais aos marketplaces. Grifes que antes concentravam as vendas em lojas próprias passaram a abrir operações oficiais nessas plataformas — a joalheria Pandora, por exemplo, estreou no Mercado Livre em 2025. “Moda é uma categoria estratégica para o Mercado Livre”, afirmou Luiz Paulo Sollero, diretor de marketplace da empresa.
Live commerce volta a colocar o vendedor no centro
As transmissões durante a SPFW são comandadas por criadores de conteúdo e afiliados, que destacam os looks e levam o público direto para a compra. O formato, que mistura entretenimento e venda em tempo real, cresce lá fora — nos Estados Unidos, a eMarketer projeta alta de 35% nas vendas por live commerce em 2026 — e é visto por aqui como uma forma de devolver à compra online o papel do vendedor que tira dúvidas e mostra a peça na hora.
Para o Brás, a lição é direta. Muitos lojistas e confecções do bairro já vendem por transmissões ao vivo e grupos de mensagem; ver o maior marketplace do país levar esse modelo para a principal semana de moda brasileira confirma que a vitrine ao vivo deixou de ser improviso e virou estratégia. Ao mesmo tempo, a presença de marcas grandes com loja oficial nas plataformas aumenta a concorrência por atenção — o que pesa a favor de quem combina preço de atacado, novidade rápida e atendimento próximo.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo E-Commerce Brasil, pelo propmark e pelo Live MKT News.