Inauguração de loja com TV a R$ 20 causa tumulto, fecha ruas e termina com loja fechada no Brás

Multidão toma a Rua Monsenhor de Andrade durante inauguração de loja no Brás, em São Paulo
Capa: Reprodução/TV Globo via g1; foto: Milena Dias Pires / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Abertura do Shopping Sheik Brás, na Rua Monsenhor de Andrade, reuniu centenas de pessoas atrás de produtos de R$ 1 a R$ 20, fechou ruas do Brás e acabou com a loja fechada por orientação da PM.

Comércio de rua no Brás, região central de São Paulo
Capa: Reprodução/TV Globo via g1; foto: Milena Dias Pires / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que era para ser uma festa de inauguração virou um dia de confusão no Brás nesta segunda-feira (5). A abertura do Shopping Sheik Brás, loja instalada na Rua Monsenhor de Andrade, 967, reuniu centenas de pessoas atrás de produtos anunciados entre R$ 1 e R$ 20, provocou empurra-empurra, fechou ruas do entorno e terminou com o estabelecimento fechado por orientação da Polícia Militar.

A propaganda que viralizou nas redes sociais da loja mostrava, entre outras coisas, televisores de 32 polegadas por R$ 20. A lista também incluía maquiagem, perfumes, utilidades para casa, brinquedos, ventiladores, fornos e batedeiras. A regra divulgada era de um produto por CPF, o que não bastou para segurar a procura.

Fila desde o fim de semana e multidão logo cedo

A abertura estava marcada para as 10h, mas muita gente não esperou a segunda-feira chegar. Segundo relatos publicados pela imprensa, havia clientes acampados na porta desde o fim de semana. Por volta das 7h20, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já registrava uma aglomeração grande sobre a calçada e em volta do quarteirão, com a fila chegando à Avenida do Estado.

Com o passar das horas, o público tomou também o leito da rua. De acordo com a Folha de S.Paulo, algumas pessoas passaram mal e chegaram a cair no meio do aperto. Imagens que circularam ao longo da manhã mostram a Monsenhor de Andrade completamente tomada.

Ruas fechadas e ônibus desviados

A PM reforçou o policiamento na esquina da Monsenhor de Andrade com a Avenida do Estado e interditou, para veículos, a própria Rua Monsenhor de Andrade e a Rua Henrique Dias. A justificativa foi proteger o grande fluxo de pedestres e evitar atropelamentos.

A CET montou operação na Avenida do Estado, na altura da Rua São Caetano, e bloqueou o acesso da São Caetano à Monsenhor de Andrade no sentido da Avenida Rangel Pestana. Os motoristas foram orientados a seguir pela Rua Elisa Whitaker. Linhas de ônibus que passam pela região também tiveram o trajeto alterado durante a manhã.

Loja pede desculpas e acaba fechada

Ainda pela manhã, em uma transmissão ao vivo no Instagram, uma representante da loja disse que não havia condições de abrir as portas naquele cenário, pediu desculpas ao público e encerrou a live. Mesmo assim, pequenos grupos chegaram a entrar de forma controlada, e houve quem saísse carregando sacolas cheias de ventiladores e perfumes comprados pelos preços anunciados.

Por volta das 12h20, a Polícia Militar orientou os responsáveis pelo estabelecimento e acionou a Prefeitura para que a loja fosse fechada, com o argumento de preservar a segurança dos consumidores. Segundo a Folha, os proprietários foram levados à delegacia para prestar esclarecimentos. A via só foi totalmente liberada por volta das 14h30.

A PM informou que as vendas e promoções não continuam nesta segunda-feira e pediu que quem pensava em ir até o local não se deslocasse.

O que fica de lição para quem vende no Brás

O Brás está acostumado a movimento intenso, mas o episódio mostra como uma oferta muito agressiva, turbinada pelas redes sociais, pode fugir do controle em poucas horas. Para o lojista do bairro, a confusão não ficou só na porta do Sheik: rua fechada, ônibus desviado e calçada lotada atrapalham carga e descarga, afastam o cliente de atacado e deixam o comércio vizinho praticamente parado.

Quem planeja uma inauguração ou uma promoção de grande apelo na região pode se prevenir com medidas simples: distribuir senhas ou agendar horários com antecedência, organizar a fila longe do leito da rua, reforçar a equipe de segurança e conversar antes com a CET e com a subprefeitura sobre o movimento esperado. No Brás, onde o fluxo de pedestres já é alto num dia comum, planejar o público faz parte da estratégia de venda.

Esta reportagem foi feita com base nas informações publicadas pela Folha de S.Paulo, pelo g1 e pela CNN Brasil, além dos comunicados da Polícia Militar e da CET citados por esses veículos.

Fontes

Notícias do Brás