O fim da tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”, está trazendo ao Brasil uma nova leva de empresas chinesas interessadas no comércio eletrônico do país. Segundo apuração do portal NeoFeed publicada nesta quarta-feira (21), delegações de empresários chineses intensificaram as visitas ao Brasil desde agosto em busca de parceiros locais para vender seus produtos.
Em uma dessas missões, mais de 20 empresários de áreas como moda, casa, esportes, beleza, saúde, tecnologia e serviços de comércio exterior estiveram no país. São empresas pouco conhecidas do consumidor brasileiro, mas algumas já faturam na casa dos US$ 100 milhões, de acordo com a reportagem. Entre os nomes citados aparecem confecções como Yaqinlan Apparel e Zhiyi Apparel, além de empresas de tecnologia e de vendas internacionais on-line, muitas delas ligadas a Shenzhen, um dos principais polos do e-commerce transfronteiriço da China.
Testar o mercado antes de montar estrutura
O plano, segundo o NeoFeed, é começar vendendo do exterior por meio de marketplaces como TikTok Shop, Shopee, Mercado Livre e Temu, testar meios de pagamento e canais de atacado e entender o sistema tributário brasileiro. Se as vendas engrenarem, o passo seguinte seria criar uma operação no país. Uma fonte ouvida pelo portal disse que o Brasil “estava no fim da fila” dessas empresas e que o movimento esperado há anos está acontecendo agora. Pesam a favor a busca chinesa por novos mercados e as restrições maiores dos Estados Unidos aos produtos da China; contra, a volatilidade e o baixo crescimento da economia brasileira.
O movimento acompanha a alta das encomendas de pequeno valor. Levantamento do BTG Pactual com dados da Receita Federal, divulgado pelo portal Mercado&Consumo, mostrou que as compras internacionais de até US$ 50 subiram cerca de 82% depois do fim da taxa, com mais de 25 milhões de encomendas em setembro.
Varejo cobra isonomia
A revogação do imposto, que era de 20% sobre essas compras, continua sendo criticada pelo comércio nacional. Entidades do setor pedem isonomia tributária entre o produto vendido por plataformas estrangeiras e o fabricado ou vendido no Brasil, que segue pagando a carga integral de tributos. Hoje, as encomendas de até US$ 50 pagam apenas o ICMS estadual.
O que muda para quem compra e vende no Brás
Para confecções e lojistas do Brás, a notícia indica que a concorrência das plataformas tende a aumentar e a se diversificar, com mais fabricantes chineses vendendo diretamente ao consumidor final e também sondando canais de atacado no país. Acompanhar preços nos marketplaces, apostar em produto com giro rápido, grade completa e entrega imediata, e reforçar a venda pelas próprias redes sociais são caminhos para não perder espaço na temporada de Black Friday e Natal.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo NeoFeed em 21 de outubro de 2026 e em levantamento do BTG Pactual divulgado pelo portal Mercado&Consumo em 16 de outubro de 2026.

