Compras internacionais de até US$ 50 sobem 82% após fim da “taxa das blusinhas”; moda é o setor mais exposto

Cartões de crédito diante de telas de sites de compras internacionais como Shein, AliExpress e Alibaba
Capa: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil (CC BY 4.0)

Relatório do BTG Pactual com dados da Receita Federal mostra 25,2 milhões de encomendas de até US$ 50 em setembro. Para os analistas, a alta se manteve por quatro meses seguidos e aumenta a pressão de Shein, Shopee e AliExpress sobre o vestuário nacional.

Compras internacionais de até US$ 50 sobem 82% após fim da “taxa das blusinhas”; moda é o setor mais exposto
Capa: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil (CC BY 4.0)

As compras feitas em sites estrangeiros com valor de até US$ 50 cresceram 82% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo relatório do banco BTG Pactual baseado em dados da Receita Federal e divulgado pelo portal Mercado&Consumo nesta sexta-feira (16). No mês, foram 25,2 milhões de encomendas, que somaram R$ 2,37 bilhões em valor importado, alta de 87%.

O salto acontece depois do fim do Imposto de Importação federal de 20% sobre essas remessas, a chamada “taxa das blusinhas”. A cobrança, criada em agosto de 2024 para compras de pessoas físicas em plataformas do programa Remessa Conforme, foi zerada em 12 de maio de 2026 por medida provisória. O texto foi aprovado pelo Congresso e virou a Lei 15.502, sancionada pelo presidente Lula em 10 de setembro, o que tornou a isenção permanente, como noticiou a Agência Brasil.

Alta não foi passageira

Para medir o efeito da mudança, o BTG compara setembro com abril, o último mês completo antes do fim do imposto. Nesse intervalo, o número de encomendas de até US$ 50 subiu 61% e o valor importado, 62%. Segundo os analistas, as compras internacionais ficaram em patamar elevado por quatro meses seguidos depois do pico de junho, sem sinais de recuo. Em tradução livre, o relatório resume que a tributação menor “sustentou uma recuperação duradoura” do comércio internacional on-line.

Vale lembrar que o fim da taxa federal não zerou os impostos. O ICMS estadual continua sendo cobrado nessas remessas, com alíquotas entre 17% e 20%, dependendo do estado.

Pressão maior sobre o vestuário

O banco destaca a moda como um dos segmentos mais expostos. De acordo com o relatório, a diferença de preço da Shein em relação à média dos grandes varejistas brasileiros listados na Bolsa passou de 34% em junho para 44% em agosto. O BTG avalia que as redes nacionais estão mais preparadas do que em outros momentos, com logística mais rápida, preços mais competitivos e presença mais forte no comércio eletrônico, mas considera a retomada das importações um sinal negativo para o vestuário e outras compras não essenciais, em que a concorrência de Shein, Shopee e AliExpress segue intensa.

O que isso significa para o Brás

Para confecções e lojistas do Brás, que vendem justamente roupas a preços acessíveis, os números mostram que a disputa com as plataformas estrangeiras deve continuar forte na reta final do ano, com Black Friday e Natal. Diferenciais como pronta-entrega, possibilidade de ver e provar a peça, troca facilitada, reposição rápida e atendimento ao cliente de atacado ganham ainda mais peso na hora de competir.

Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo portal Mercado&Consumo, a partir de relatório do BTG Pactual, e pela Agência Brasil.

Fontes

Notícias do Brás