Com o fim da tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas", as redes de moda brasileiras discutem como competir com Shein, Shopee e outras plataformas. Para o CEO da Lojas Marisa, Edson Garcia, a rede sente menos esse impacto porque seus preços já estão próximos aos dos sites estrangeiros. A avaliação foi dada em entrevista publicada pelo Estadão nesta quinta-feira (22).
Segundo o executivo, uma blusa nessas plataformas costuma ter preço de entrada de R$ 29 ou R$ 39, e na Marisa os valores são parecidos. A diferença, disse ele, é que na loja física a cliente toca na peça, prova, leva na hora e troca com facilidade. Como a consumidora da classe C tem orçamento apertado e pouca margem para errar, ela tende a trocar menos a loja pelo site quando os preços se equivalem. Por isso, na visão dele, marcas de posicionamento mais alto sofrem mais com a concorrência.
Volta à cliente popular
Garcia, que assumiu a empresa em 2024 depois de passar por Riachuelo e Caedu, contou que a Marisa havia se inclinado para as classes A e B e decidiu voltar a focar na mulher da classe C. Para isso, mexeu em preço, estilo e sortimento. De acordo com ele, 84% de quem frequenta as lojas são mulheres, e 70% delas têm em média dois filhos, o que transformou a moda infantil em frente de crescimento. O masculino também entrou nos planos, e as lojas estão sendo reformadas com mais iluminação e vitrines reorganizadas.
Sem expansão em 2027
A varejista acumulou sete anos seguidos de prejuízo, de 2019 a 2025, e tem dívida de cerca de R$ 380 milhões, pressionada pelos juros altos. O CEO disse que a empresa usa quase R$ 1 bilhão em créditos tributários para abater impostos e reduzir o endividamento, e que não há discussão sobre fechar o capital. A prioridade é aumentar a venda por metro quadrado nas lojas atuais: segundo ele, não haverá abertura de lojas neste ano nem em 2027. Parte da entrevista já havia sido publicada pela Broadcast, serviço de notícias do Grupo Estado, no dia 16.
O que isso significa para o lojista do Brás
A estratégia da Marisa reforça um ponto que vale também para o varejo e o atacado do Brás: quando o preço fica parecido com o das plataformas, a experiência de compra (provar a peça, levar na hora, trocar sem burocracia) ajuda a segurar a cliente. Moda infantil e linhas para a família aparecem como apostas para atrair a consumidora de renda média e popular.
Esta reportagem foi elaborada com base em entrevista de Edson Garcia publicada pelo Estadão em 22 de outubro de 2026 e pela Broadcast em 16 de outubro de 2026.
