A indústria de calçados do Ceará deve receber mais de R$ 140 milhões em novos investimentos, com previsão de gerar cerca de 4,1 mil empregos diretos. O pacote reúne dez indústrias calçadistas que tiveram protocolos de intenção aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado (Condec), com participação da Agência de Desenvolvimento do Estado (Adece), segundo informações do Governo do Ceará divulgadas nesta sexta-feira (16) pelo Jornal Exclusivo e pelo portal NE9.
Os projetos estão espalhados pelo interior, em municípios como Irauçuba, Granja, Pedra Branca, Baturité, Porteiras, Mauriti, Brejo Santo, Itapajé e Pentecoste. O anúncio não detalha quanto será investido em cada cidade nem o cronograma de cada unidade. Como se trata de protocolos de intenção, os valores e as vagas são projeções e dependem da execução das obras.
“O Ceará continua sendo um porto seguro para investimentos e referência nacional em produtividade e qualidade”, afirmou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó, citado pelo Exclusivo.
Segundo maior exportador do país
De janeiro a julho de 2026, o Ceará exportou US$ 84,8 milhões em calçados, o equivalente a 15,7 milhões de pares, e ficou em segundo lugar no país, atrás do Rio Grande do Sul. O estado responde por cerca de 19% do valor exportado pelos cinco principais polos fabricantes e mantém 64,9 mil empregos diretos na cadeia. Em 2025, segundo relatório da Abicalçados citado pelo NE9, o Ceará fabricou 206,8 milhões de pares, 24,4% da produção nacional, com Sobral concentrando quase 60% do total estadual.
Fábricas trocam o Sul pelo Nordeste
O movimento de interiorização aparece também em casos concretos. A calçadista Dilly Sports, com sede em Novo Hamburgo (RS), encerrou na quarta-feira (14) sua única fábrica em operação no Rio Grande do Sul, em Crissiumal, com cerca de 120 demissões, segundo a prefeitura local ouvida pelo Exclusivo. Em agosto, o governo cearense já havia confirmado que a empresa abrirá uma unidade em Pentecoste, com possibilidade de 500 vagas. A marca mantém sede e centro de desenvolvimento no Sul, mas concentra a produção no Ceará.
O NE9 lembra que a expansão acontece em um cenário difícil para o setor, pressionado pela concorrência de calçados asiáticos e pelo consumo interno mais fraco.
Por que isso importa para quem compra e vende no Brás
Boa parte dos calçados vendidos no atacado e no varejo do Brás vem de fábricas nacionais, e o Nordeste ganha cada vez mais peso nesse abastecimento. Para lojistas, a mudança de polos produtivos pode significar novos fornecedores, prazos de entrega e custos de frete diferentes. Vale acompanhar quais marcas estão ampliando a produção e renegociar condições com antecedência para a temporada de fim de ano.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo Jornal Exclusivo, pelo portal abc+ e pelo portal NE9, a partir de dados do Governo do Ceará e da Abicalçados.