A popularização das canetas emagrecedoras começou a aparecer nas planilhas de produção de um dos principais polos de confecção do país. Segundo reportagem do jornal O Município publicada nesta terça-feira (20), empresas de Brusque, em Santa Catarina, percebem aumento na procura por numerações menores, crescimento do interesse por roupas fitness e já fazem ajustes na quantidade de peças fabricadas em cada tamanho.
Menos peças nos números maiores
Na Rocksham Jeans, as equipes das lojas notaram clientes voltando para renovar o guarda-roupa depois de perder medidas, em alguns casos dois ou mais números. A marca continua produzindo jeans femininos até o 48 e masculinos até o 50, mas a saída das numerações maiores diminuiu. De acordo com a diretora criativa Vanda Maria de Oliveira Dezideiro, hoje os tamanhos 36 a 40 concentram a maior parte das vendas do jeans feminino.
A empresa não mexeu nas modelagens. O que mudou foi a distribuição da produção: os resultados de vendas por tamanho passaram a definir quantas peças de cada número entram nas próximas coleções, para evitar sobra de estoque nas grades com menor giro. “Não mudamos a modelagem, ajustamos a grade de produção”, resumiu a diretora ao jornal.
Mais marcas fitness e peças de tamanho único
Na Sala de Moda da Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr), que oferece modelagem, desenvolvimento de coleções e impressão de moldes, a modelista e estilista Roberta Lopes relata que muitos novos empreendedores chegam com a intenção de lançar marcas de vestuário esportivo. Ela também observa avanço dos tamanhos menores e das roupas de tamanho único, embora ressalte que ainda não há dados que comprovem a ligação direta com a mudança nas medidas dos consumidores.
Indústria segue o pedido do lojista
Para Patrícia Conti, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sindivest) de Brusque e diretora comercial da fabricante de pijamas Mensageiro dos Sonhos, a mudança nos manequins se intensificou no último semestre e parece mais forte na moda feminina do que na masculina. Como boa parte das confecções da cidade trabalha no modelo private label, produzindo para outras marcas, as alterações chegam à fábrica pelos pedidos dos clientes comerciais. “Quando o mercado sinaliza, automaticamente a indústria se adapta”, afirmou ao O Município.
A própria dirigente pondera que é cedo para dimensionar o efeito das canetas no setor e que nem toda mudança pode ser atribuída aos medicamentos. A confirmação, segundo ela, depende de acompanhar vendas e pedidos ao longo das próximas estações.
O que observar no Brás
Para quem compra e vende no atacado, o recado prático é acompanhar a grade. Se a procura por numerações menores e por moda fitness continuar crescendo, lojistas tendem a pedir grades mais concentradas nos tamanhos P, M e 36 a 40, e confecções que trabalham com estoque próprio podem rever a quantidade fabricada nos números maiores. Acompanhar o giro por tamanho na própria loja é a forma mais segura de evitar encalhe antes de fechar os pedidos de verão e de Natal.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo jornal O Município, de Brusque (SC), em 20 de outubro de 2026, e reproduzidas pelo portal TopElegance.

