Cade aprova divisão da Azzas: Arezzo&Co e Soma voltam a ser empresas separadas

Fachada com o logotipo da Azzas 2154
Capa: Divulgação/Azzas 2154 (via InfoMoney)

Órgão antitruste liberou sem restrições a cisão do maior grupo de moda do país. Hering vai para a Arezzo&Co, Animale e Reserva voltam à Soma e a Farm ganha empresa própria — um rearranjo que deve mexer com coleções, preços e canais de venda.

Cade aprova divisão da Azzas: Arezzo&Co e Soma voltam a ser empresas separadas
Capa: Divulgação/Azzas 2154 (via InfoMoney)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições, nesta quarta-feira (14), a reorganização societária da Azzas 2154, dona de marcas como Arezzo, Schutz, Hering, Farm, Animale e Reserva. A decisão abre caminho para desfazer a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024, e devolver cada lado ao comando das famílias fundadoras: os Birman, liderados por Alexandre Birman, na Arezzo&Co, e os Jatahy, com Roberto Jatahy, na Soma.

Segundo a Folha de S.Paulo, a Superintendência-Geral do Cade entendeu que a operação representa uma desconcentração do mercado, e não aumento de poder de mercado. As próprias empresas estimam que sua participação conjunta fica abaixo de 20% nos mercados de vestuário, acessórios, calçados e marketplaces de moda.

Quem fica com cada marca

Pelo acordo entre os sócios, a Arezzo&Co reunirá as marcas de calçados e bolsas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas e Brizza, além de Carol Bassi, do marketplace ZZ Mall e da Hering, que muda de controle. A Soma retoma Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Foxton, Off Premium e a Reserva, com suas linhas Oficina, Mini, Ink e Go.

A Farm, considerada a joia do grupo, vai para uma nova empresa com gestão própria, reunindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. Nela, a Arezzo&Co terá 57,4% e a Soma, 42,6%.

Próximos passos

De acordo com comunicado da companhia citado pelo InfoMoney, a decisão do Cade só se torna definitiva 15 dias após a publicação no Diário Oficial da União. A conclusão ainda depende de aprovações do conselho e dos acionistas, do registro da Soma como companhia aberta na CVM e da listagem das ações no Novo Mercado da B3. As empresas afirmam que não haverá pagamento na troca de ações nem diluição para os minoritários.

A separação ocorre depois de uma longa disputa entre os sócios e de resultados fracos: no segundo trimestre, o lucro líquido recorrente do grupo caiu 62,5% na comparação anual, para R$ 106,5 milhões, e a receita líquida recuou 8,2%, para R$ 2,66 bilhões, segundo a Folha.

Por que isso importa para o Brás

As grandes marcas ditam tendência, preço de referência e calendário de coleções que o atacado acompanha de perto. Com duas empresas independentes, cada uma com estratégia própria, a tendência é de disputa mais acirrada por consumidor, mais promoções e reposicionamento de marcas como Hering, um dos nomes mais fortes no básico, segmento em que confecções do Brás competem diretamente. Para lojistas e fabricantes do bairro, vale acompanhar os movimentos de preço e de coleção das duas companhias nos próximos meses, sobretudo na Black Friday e no Natal.

Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pela Folha de S.Paulo (C-Level) e pelo InfoMoney.

Fontes

Notícias do Brás