Black Friday: quase metade dos produtos não teve desconto real em 2025, e moda quase não baixou preço, diz estudo

Ilustração de cupons de desconto com símbolo de porcentagem
Capa: Reprodução/Mercado&Consumo

Levantamento da Timelens acompanhou 2.373 produtos e mais de 809 mil preços: 45,4% não ficaram mais baratos na promoção. A desconfiança do consumidor cresce e as ofertas se espalham pelo mês inteiro, com “Black November” em alta.

Black Friday: quase metade dos produtos não teve desconto real em 2025, e moda quase não baixou preço, diz estudo
Capa: Reprodução/Mercado&Consumo

Quase metade dos produtos acompanhados durante a Black Friday de 2025 não ficou de fato mais barata para o consumidor. É o que mostra um estudo da Timelens, empresa de inteligência de dados ligada à FutureBrand São Paulo, divulgado nesta semana pelos portais Mercado&Consumo e Mundo do Marketing. A empresa monitorou diariamente 2.373 produtos em sites comparadores de preço, somando mais de 809 mil registros.

Segundo o levantamento, 45,4% dos itens não tiveram desconto efetivo no período da promoção. Em 21% dos casos, o preço ficou igual; em outros 21%, o produto ficou mais caro do que nos dias normais; e 3,4% tiveram o chamado “falso desconto”, quando o preço é aumentado antes da campanha para simular uma redução. Só 16,1% das ofertas tiveram descontos acima de 15%.

Moda teve pouca variação

Entre as categorias, linha branca e eletroportáteis foram as que mostraram quedas de preço mais consistentes. Já mercado, farmácia, brinquedos, moda e acessórios registraram poucas variações significativas, de acordo com a pesquisa.

O estudo também analisou conversas nas redes sociais. A maquiagem de preços e os falsos descontos aparecem em 51% dos comentários críticos sobre a data, seguidos pela frustração entre o que o cliente esperava e o que encontrou (39,2%) e pelo medo de golpes ou propaganda enganosa (25,6%). Para Luara Canobre, diretora de operações da Timelens, o maior desafio do comércio eletrônico brasileiro é a credibilidade, já que o consumidor acompanha o histórico de preços e compara cupom, cashback e parcelamento antes de fechar a compra.

Promoção agora dura o mês todo

Outro dado chama atenção: as menções a “Black November” nas redes cresceram 298,5%, e as de “Black Week”, 105,3%, contra alta de 33,8% para o termo “Black Friday”. Ou seja, as ofertas estão se espalhando por um período maior. A procura por cashback e programas de pontos cresce em média 8,3% ao ano, enquanto as buscas por frete grátis e por desconto direto no preço vêm caindo. Grupos de ofertas no WhatsApp e no Telegram e criadores de conteúdo ganham peso como “filtro” das boas oportunidades.

Dica para quem vende no Brás

Para o lojista, a lição é que o cliente está mais desconfiado e compara preços antes de comprar. Promoções transparentes, com preço anterior verdadeiro e condições claras, tendem a converter mais do que descontos inflados. Como a campanha se estende por novembro, vale planejar estoque e ofertas para o mês inteiro e usar os próprios canais de WhatsApp e redes sociais para divulgar as condições de atacado e varejo.

Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelos portais Mercado&Consumo e Mundo do Marketing, a partir de estudo da Timelens.

Fontes

Notícias do Brás