O dinheiro que muitas famílias passaram a gastar com apostas online, as chamadas bets, fez falta nas lojas de roupas e calçados. A avaliação foi feita pelo economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, durante o Congresso Internacional Brasil 2026, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) em Fortaleza, segundo reportagem do jornal O POVO publicada nesta sexta-feira (16).
De acordo com Margato, o varejo brasileiro vem registrando há alguns anos uma demanda mais fraca porque uma fatia importante da renda disponível das famílias estava indo para as plataformas de apostas. Esse desvio, segundo ele, atingiu não só o vestuário e os artigos para o lar, mas até gastos considerados essenciais, como supermercado e farmácia.
O que muda com a proibição
A exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa e dos jogos online foram proibidas no país em 25 de setembro de 2026, por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026, com o objetivo de conter o endividamento das famílias. Para o economista, a tendência é que parte desse dinheiro volte aos poucos para o consumo de bens, inclusive roupas e calçados.
Ele, porém, faz uma ressalva: nem todo o recurso deve voltar para o comércio, já que uma parte dos apostadores pode migrar para sites ilegais. Por isso, a fiscalização contra o mercado clandestino será decisiva. Margato também afirmou que ainda não é possível estimar quanto dinheiro deve retornar ao varejo, e que isso dependerá da estabilidade das regras de proibição depois das eleições presidenciais de 2026.
Contexto para quem vende roupa
O congresso, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, reuniu pela primeira vez a Abit e as duas principais federações internacionais do setor, a ITMF e a IAF, para discutir os rumos da indústria têxtil e de confecção. A leitura sobre as bets ajuda a explicar por que muitas lojas sentiram o movimento mais fraco nos últimos anos.
Para lojistas e confecções do Brás, a mensagem é de cautela: a recuperação, se vier, deve ser gradual. Com Black Friday e Natal pela frente, vale acompanhar de perto o giro do estoque e o comportamento dos clientes de atacado antes de fazer compras grandes de mercadoria.
Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo jornal O POVO e no site oficial do Congresso Internacional Brasil 2026, da Abit.