Atacado perde fôlego em 2026: faturamento sobe 3,6%, mas volume vendido fica praticamente parado, aponta FecomercioSP

Ilustração em tons de vermelho com gráficos de barras e símbolo de porcentagem
Capa: Divulgação/FecomercioSP

Carta Setorial da FecomercioSP com dados da Abad mostra que a alta do faturamento do atacado veio dos preços, não de mais vendas. Pontos de venda caíram 1,9%, estoques estão desajustados e o endividamento das famílias chegou a 75,4% em setembro.

Atacado perde fôlego em 2026: faturamento sobe 3,6%, mas volume vendido fica praticamente parado, aponta FecomercioSP
Capa: Divulgação/FecomercioSP

O comércio atacadista está crescendo menos do que parece em 2026. Segundo a Carta Setorial divulgada nesta terça-feira (20) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), o faturamento do setor subiu 3,6% entre janeiro e agosto na comparação com o mesmo período de 2025, mas o volume de mercadorias vendidas avançou apenas 0,1%. Ou seja: a alta veio dos preços, e não de mais vendas.

Agosto foi o mês mais fraco do levantamento. As vendas em valor recuaram 1,7% e o volume caiu 3%. No acumulado do ano, o número de pontos de venda diminuiu 1,9%.

Estoques fora do ponto

O Índice de Estoques da FecomercioSP mostra um setor com dificuldade para ajustar a oferta ao ritmo do consumo: cresceu tanto a fatia de empresas com mercadoria acima do nível adequado quanto a das que operam com estoque insuficiente. Para a federação, a combinação de demanda mais fraca, crédito caro e restrições financeiras atrapalha ao mesmo tempo a venda dos excedentes e a reposição de produtos.

Consumidor mais endividado

O pano de fundo é o bolso das famílias. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, citada na carta, o endividamento chegou a 75,4% das famílias em setembro, contra 68,9% em janeiro, e a inadimplência subiu para 8,7%. Nos preços ao produtor, o IPA-10 acumula queda de 1,01% em 12 meses até setembro, mas teve alta de 1,9% no mês, interrompendo três meses seguidos de deflação.

No emprego, o saldo segue positivo, porém mais lento. O atacado paulista criou 5,5 mil vagas formais no primeiro semestre, 53,9% a menos que no mesmo período de 2025. Em agosto foram abertas 1.442 vagas, e o estoque de trabalhadores chegou a 650,6 mil vínculos.

O que a federação recomenda

A FecomercioSP avalia que não há retração generalizada, e sim uma expansão mais moderada e seletiva. A entidade recomenda que atacadistas e distribuidores ajustem os estoques ao giro de cada produto, estreitem a relação com os varejistas, priorizem margem e rentabilidade em vez de apenas faturamento e usem tecnologia para antecipar mudanças na demanda. A recuperação, segundo a carta, depende principalmente da melhora do poder de compra e da disposição do varejo para recompor estoques.

Por que isso importa para o Brás

Os números da Abad se referem ao atacado distribuidor como um todo, e não especificamente à moda. Ainda assim, o retrato ajuda quem vende no atacado de roupas: com o consumidor mais endividado e o crédito caro, muitos lojistas do varejo tendem a comprar em lotes menores e com mais frequência na reta de Black Friday e Natal. Planejar a produção e o estoque pelo giro real, e não pela expectativa de faturamento, é o principal conselho da federação para o fim do ano.

Esta reportagem foi elaborada com base na Carta Setorial do Conselho de Comércio Atacadista da FecomercioSP, divulgada em 20 de outubro de 2026, que utiliza dados da Abad, da CNC (Peic) e do IPA-10.

Fontes

Notícias do Brás