Paraíba colhe algodão que já nasce verde e dispensa tingimento; fibra orgânica segue para fabricante de roupas na Espanha

Algodão colorido verde recém-colhido em Itatuba, no Agreste da Paraíba
Capa: Reprodução/Empaer (via g1 Paraíba)

Agricultores familiares de Itatuba, no Agreste paraibano, começaram a colher algodão colorido verde, produção apontada como pioneira no país. A fibra agroecológica é comprada pela espanhola Organic Cotton Colours, que fabrica roupas e tecidos orgânicos, e reduz o uso de corantes na indústria têxtil.

Paraíba colhe algodão que já nasce verde e dispensa tingimento; fibra orgânica segue para fabricante de roupas na Espanha
Capa: Reprodução/Empaer (via g1 Paraíba)

Um algodão que sai do campo já com cor própria começou a ser colhido na Paraíba e chamou a atenção da indústria têxtil europeia. Agricultores do reassentamento Acauã, em Itatuba, no Agreste do estado, iniciaram a colheita do algodão colorido verde, uma produção descrita como pioneira no país pela Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer). Segundo reportagens do g1 Paraíba e do Jornal da Paraíba publicadas no sábado (17), toda a fibra tem destino certo: a empresa espanhola Organic Cotton Colours (OCC), que fabrica roupas e tecidos com algodão orgânico.

A iniciativa faz parte do projeto Algodão Paraíba, que estimula o cultivo agroecológico por agricultores familiares e garante a venda da matéria-prima. De acordo com Paulo Emílio, gerente regional da Empaer em Itabaiana, mais de 70 famílias participam e a expectativa é colher cerca de 30 toneladas de algodão colorido nos cinco municípios atendidos.

Cor natural, menos química

O principal atrativo para a indústria está na cor. Como a pluma já nasce tingida pela natureza, ela pode ir para a fiação e a tecelagem sem passar pelo tingimento artificial, etapa que consome corantes, produtos químicos e muita água. As variedades plantadas foram desenvolvidas em pesquisas da Embrapa, inclusive da unidade Embrapa Algodão, sediada no estado. Entre elas estão a BRS Verde, de tonalidade esverdeada, e a BRS Rubi, de fibra marrom. Segundo a Empaer, o cultivo é feito sem agrotóxicos e sem fertilizantes químicos, e a produção tem certificação orgânica.

Outro ponto que diferencia o projeto é a forma de venda. As empresas compradoras assinam contrato com os agricultores antes do plantio, já com preço e quantidade definidos. “O agricultor planta sabendo por quanto vai vender”, resumiu o gerente regional ao g1. O algodão também é plantado em consórcio com milho, feijão, fava, gergelim, abóbora e amendoim, o que garante comida para as famílias e uma renda extra com a venda dos alimentos. O trabalho no campo é feito em mutirão, o que ajuda a reduzir custos.

Um nicho de olho no mercado externo

O incentivo ao algodão colorido na região de Itabaiana começou em 2009 e, desde então, foi levado a outros municípios paraibanos com assistência técnica pública. Segundo a Empaer, a procura internacional por algodão colorido orgânico, sobretudo na Europa, abre espaço para ampliar a produção.

Para confecções e lojistas de moda, a novidade mostra para onde caminha uma parte do mercado de tecidos: fibras rastreáveis, com menos química no processo e apelo de sustentabilidade, que ganham espaço em coleções de moda consciente, roupas infantis e linhas de básicos orgânicos. Por enquanto, os volumes ainda são pequenos e a produção paraibana tem compradores definidos no exterior, mas o avanço de variedades nacionais como as da Embrapa amplia as opções de matéria-prima brasileira para quem quer trabalhar com esse nicho.

Esta reportagem foi elaborada com base em informações publicadas pelo g1 Paraíba e pelo Jornal da Paraíba em 17 de outubro de 2026, com declarações de técnicos da Empaer.

Fontes

Notícias do Brás